A tarefa de atualização e revisão da flora brasileira através de abordagens taxonômicas convencionais, especialmente para taxonomistas que trabalham em países como o Brasil, é complexa e morosa por várias razões. Entre elas, o difícil acesso a espécimes de herbários e a descrições e ilustrações dispersas na literatura. Em parte por isso, muitas informações não são publicadas pelos taxonomistas por serem ainda incompletas, o que atrasa ainda mais o progresso do conhecimento taxonômico. Se considerarmos o número de espécies no Brasil como sendo 50 mil e utilizarmos um fator de 500 espécies descritas ou revisadas por ano, necessitaremos de 100 anos para completar uma nova Flora do Brasil. Além disso, em conseqüência do conhecimento preliminar sobre muitos grupos de angiospermas do Brasil, as informações publicadas em livros ou revistas científicas, incluindo chaves de identificação, ficam rapidamente desatualizadas.
Os recentes avanços tecnológicos nas áreas da tecnologia de informação e comunicação têm possibilitado o desenvolvimento de novas ferramentas que permitem facilitar e acelerar o trabalho dos taxonomistas. Atualmente, é possível digitalizar tanto textos como imagens (ilustrações de livros, fotos de espécimes de herbário, fotos de plantas vivas) em número basicamente ilimitado e disponibilizar os resultados na internet, tornando-os acessíveis para todo mundo. Uma nova geração de chaves de identificação interativas e de acesso múltiplo também pode ser disponibilizada na internet. Essas chaves podem ser construídas através da colaboração de vários taxonomistas e ser continuamente amplificadas e atualizadas. E é possível construir sistemas de informação baseados em bancos de dados que podem ser interligados. Essa interligação facilita a padronização, acelera o acesso aos dados com várias opções de busca, diminui o número de erros e facilita a sua correção. Além disso, a interligação de dados facilita enormemente a inserção e recuperação de dados do sistema por vários colaboradores trabalhando ao mesmo tempo. Assim, o sistema Flora brasiliensis revisitada é mais do que um sistema de informação on-line, é um ambiente cooperativo, onde especialistas das diferentes famílias podem contribuir com o seu conhecimento para a construção colaborativa de uma base para uma futura moderna Flora do Brasil.


